8 de abr de 2013

Tipos de Homens (Identidade de Gênero)

Do Machão ao Transex

Em relação à sexualidade e naquilo que transparece no nosso comportamento e trejeitos, existem vários tipos de homens - do cabra macho ao traveco. Vários também são os termos utilizados para rotular cada tipo, como se seguíssemos uma espécie de escala de masculinidade.

O velho rosa para as meninas e azul para os meninos. Para os gays, além da bandeira com as cores do arco-íris, é designado a cor lavanda, um tipo de roxo com a mistura exata entre o rosa e o azul. É a cor do personagem Tink Wink do Teletubbies, que além de roxo, tinha o arco-íris estampado na tela do peito. Só neste exemplo, ainda podemos encontrar mais uma demonstração da iconografia gay: na antena na cabeça do personagem em forma de triângulo invertido.

Nesta ideia de identificação cultural, de acordo com o jeito de cada homem, nos referimos de forma diferente, principalmente quando queremos identificar um cara para alguém que não se conhece: 'ele é meio fruta...'. Assim, separei os tipos básicos de homens (do sexo masculino), de acordo com cada identidade de gênero assumida, enrustida ou vivenciada sem mesmo o próprio se dar conta.


Pedro Bial, exemplo de gay másculo
Másculo (hetero, bi ou homo)

Rude ou delicado, sujão ou limpinho, o homem másculo é o que tem jeito de homem, masculino. Alguns confundem o termo com musculoso, outros acham que masculino é sinônimo de machão. Machão seria um tipo de homem másculo, daqueles que falam grosso, coçam o saco e cospem no chão. Mas o homem másculo também pode ser menos marrento ou até mesmo delicado, sensível e elegante, mantendo um jeito masculino, até com a voz fina. É mais uma questão de trejeitos do que de rótulos. Costumo dizer que um heterossexual ou homem másculo pode usar até uma calça cor-de-rosa, que não perdem a masculinidade. O detalhe mais identificável de um homem másculo está na sua maneira de andar, de lidar com as mãos e braços, etc. - eles não se ligam nisso e andam de qualquer jeito (não 'desfilam'). Há quem diga que reconhece um 'homem macho' até de costas.

O homem másculo pode ser hetero, bi ou homossexual. Os gays másculos são conhecidos como bofe ou bofinho, diferente das monas e bibas. Não são iguais aos que se dizem 'discretos' (gays), que geralmente não são másculos. O jeito masculino no homem másculo é natural, se comportando sem forçar - naturalmente. E existe uma infinidade de homens gays e másculos, alguns enrustidos e casados (bissexuais), outros, simplesmente são assim, mesmo sendo gays assumidos. Também tem o chamado metrossexual, com jeito de homem, mesmo se preocupando feito uma mulher com beleza e moda. (Leia mais sobre metrossexuais em: Ídolos Metrossexuais).


Marco Feliciano no estilo Gay Discreto
Gay Discreto

Na verdade eles acham que são discretos, usando roupas esportivas, bermudas, bonés, ou terno e gravata (acima de suspeitas), e juram que estão iguais aos leks ou homens másculos. Uma característica bem superficial, atrelada no fato deste tipo de gay geralmente renegar sua própria condição homossexual. Um gay discreto costuma usar roupas masculinas e pegam mais leve na vibe feshionista - alguns se dizem metrossexuais, mas aqui o termo será exclusivo aos heteros.  Assim, não dispensam uma boa marca de perfume, cabelos bem cortados, pele bem cuidada, etc., sem, contudo, serem másculos.

Geralmente, os gays discretos procuram outros parecidos para seus relacionamentos afetivos. Basta dar uma espiada em qualquer chat ou rede de pegação, para ver sempre um recadinho: 'sou discreto e procuro homens não efeminados'. Na verdade, ninguém diz efeminado e, sim, 'afeminado', de forma errônea, já que o termo 'afeminado' é justamente o sinônimo de másculo: (a = sem) forma ou jeito feminino. Assim, o efeminado seria o homem com jeito mais feminino, tipo inverso do que almeja um gay discreto. Este, por sua vez, não possui os trejeitos totalmente masculinos, revelando uma certa delicadeza ao andar, além dos cuidados excessivos com o próprio visual.


Gominho: gay gay
Gay Gay

São os que se assumem homossexuais e se integram à cultura gay, com seus ídolos (divas) e todo culto à moda e música de boate. Gostam de estarem na moda e querem sempre lançar novidades. Usam a criatividade para se inspirarem no dia a dia, e se vestem como qualquer feshionista, sempre causando, mesmo que discretamente num pretinho básico.

Este tipo de homem gay se difere do gay másculo, discreto, ou qualquer outro tipo de homem. Eles fazem parte de um estilo específico que curte assumidamente Madonna, falam gírias gays, 'atóram' acessórios e bolsas, querem sempre 'arrasar' e 'causar' impacto onde chegam. (Leia também: Diferença entre Gay e Homossexual). É um estilo de vida, com 'curriola' de biba em boate gay e pelas ruas, sempre alegres e bem humorados, como resposta ao significado da própria palavra 'gay', desmembrada em diversos outros termos pejorativos ou carinhosos (bicha, viado ou veado, boiola, baitola, monabibil, etc.). São sempre adolescentes na maneira de pensar e de se vestir, mesmo quando já possuem mais idade.


Laerte Coutinho, 24h crossdresser
Crossdresser ou Travesti

Cross-dressing ou travestismo é a prática, não tão rara, de se vestir como o sexo oposto. O homem crossdresser veste roupas femininas, alguns por todo o tempo, e outros somente em ocasiões especiais, sozinhos ou em grupo. Não se aplica aqui o fetiche de usar roupas de mulher nas relações sexuais, haja vista que este painel de identificação se relacionada com as nossas relações sociais (públicas) - a forma como somos vistos pelos outros. Mas a situação parece ser bem comum entre quatro paredes, no fascínio do homem com (e também da mulher) de experimentar estar do lado oposto, invertendo os papéis.

Seria o sinônimo de travesti, com a ressalva que um crossdresser nem sempre é um homossexual. Há heterossexuais que tem esta fantasia, mesmo não relacionando a prática com o sexo. Existem grupos de encontro (real e virtual) para simplesmente curtir a sensação e o prazer em se vestir de mulher, passando longos momentos se arrumando, passando batom, experimentando roupas, sapatos de salto alto, meias finas, perucas... se comportando como debutantes ou noivas nas horas anteriores às cerimônias com entrada triunfal.

Rogéria, o travesti mais popular do Brasil
Já o travesti, necessariamente gay, a prática em se vestir e se comportar como uma mulher se relaciona com a identidade de gênero feminina - nasceram 'mulheres' no corpo de homem, como dizem. Há casos onde esta prática está relacionada ao trabalho (prostituição, personagem artístico, etc.), onde não se aplica a condição homossexual. Mas o mais comum é o travesti 24h por dia, em casa ou em público trabalhando, e vivendo normalmente feito mulher (tem um salão de beleza perto da minha casa que só trabalha trava, e conheço outra que trabalha na linha de montagem de uma fábrica de automóveis - é mecânica).  A maioria toma hormônio feminino para terem uma aparência mais próxima a sua identificação (seios, quadril, ausência de barba, voz mais fina), colocam silicone, porém, se distingue dos transexuais, que realizam ainda operações cirúrgicas de mudança de sexo.


Transexual

A única diferença entre os travestis é que o transexual é 'operado' - fez operação plástica no sexo, transformando o pênis e saco escrotal em vagina. Alguns consideram o termo tanto para os operados quanto para quem mantém o pênis sem cirurgia de mudança de sexo - o que importa aqui é que o 'sexo masculino' fica quase desaparecido no meio de todo o resto, transitando-se assim para os 'tipos de mulheres'.

A primeira transexual famosa no Brasil, Roberta Close, foi vedete do carnaval carioca nos anos 80, e mudou também o nome em cartório para Roberta Gambine Moreira em 2005. O juiz entendeu que sua cabeça era de uma mulher que havia nascido em um corpo de homem (identidade de gênero). A partir daí, mais casos deste tipo ganharam atenção, e tivemos um transsexual num reality show da Globo, com Ariadna Arantes (foto) no Big Brother Brasil 11 (BBB).





A drag quen Rupaul
Drag Queen

O drag queen é a versão artística do travesti, geralmente personagem de shows em bares ou boate gay e animadores de festas de todo tipo (até infantil). São homens travestidos de uma figura feminina estilizada ou caricata, se apresentando de forma teatral em espetáculos, parada gay ou carnaval - artistas performáticos. Suas fantasias tem características específicas como o uso de cores vibrantes, perucas espalhafatosas, roupas criativas e cílios postiços enormes - de forma cômica ou exagerada, mas sempre glamourosa. Aliás, os drags foram os primeiros a resgatarem a moda dos sapatos de salto plataforma, solução para diminuir o tamanho dos pés de homem (grande), com saltos altíssimos e com uma base espessa, aumentando ainda mais a estatura.

Chama-se drag queen o homem que se veste com roupas femininas exageradas e estilizadas, e drag king a mulher que se veste como um homem, da mesma forma. A transformação em drag queen (ou king) geralmente envolve, por parte do artista, a criação de um personagem cômico e/ou exagerado, ou Clown. Sendo assim, o drag pode ter qualquer orientação sexual, sendo em sua essência um trabalho de ator ou palhaço. Ou seja, o drag pode ser homo, bi ou heterossexual, travesti ou transex - é um transformista.

Veja também:
Carnaval e Homem vestido de mulher
Homens famosos que saíram do armário
Famosos gays e suspeitos

5 comentários:

  1. Faltou na categoria os "sarados", "malhados", "bombados", pois é uma categoria que se distingue pelo fato de serem adeptos ao fisiculturismo, em busca do corpo perfeito, no caso, gostam de ficar somente entre os do seu "biotipo", ou seja, ficam somente com pessoas que possuem "corpão". São homens másculos, ou também podem vir a serem efeminados, mas o que se destaca é a sua fixação por academia.
    #Fica a dica!!!

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    1. Veja a postagem Homens Musculosos que fala um pouco sobre isso. Valeu a dica e muito obrigado por contribuir com o comentário!

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  2. Não deveria-se falar de Roberta Close e Ariadna num post intitulado como Tipos de Homens (Identidade de Gênero). As duas nunca foram homens e sim mulheres. O que poderia ter falado é dos homens transexuais, aí sim, porque são de fato homens. Roberta e Ariadna são mulheres, então que estivessem num post intitulado Tipos de Mulheres. Pecou aí, desculpe, mas informe-se mais.

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    1. Obrigado pelo comentário. Mas não seria uma questão de ponto de vista e não só de informação? Ambas foram homens pelo menos no começo da vida, ainda que não se identificassem como tal - daí a transformação naquilo que correspondia com as suas 'identidades de gênero'. Poderia incluir também as lésbicas que se travestem e vivem como homens, fazem cirurgia de retirada da mama... ou deixaria para a lista de 'tipos de mulheres'. Entende que é mais ponto de vista do que informação? Contudo e na diversidade, somos todos iguais: humanos - o resto são apenas rótulos. Abraço e seja sempre bem vindo (a)!

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  3. É por isso que o preconceito com transexuais nunca acaba, porque continuam proliferando a ideia de que mulheres trans foram homens que viraram mulheres e a de que homens trans eram mulheres que viraram homens, quando na verdade (basta perguntar a qualquer transexual) todxs negarão essa afirmação errônea. Genitais não definem gênero, hormônios não definem gênero, corpo (seja por dentro ou por fora) não define gênero. O que define gênero é a mente, a essência, a alma. Apenas estou tentando explicar algo que xs transexuais lutam a cada dia para provar: que mulheres trans sempre foram mulheres (ex: Roberta Close) e que homens trans sempre foram homens(ex: João W. Nery). No mais, parabéns pelo blog, realmente gostei bastante do conteúdo. Paz e sucesso. :)

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