8 de abr de 2019

De que é feito o desejo sexual masculino?

De Ana Alexandra Carvalheira

A mulher quer chegar ao sexo através do amor, e o homem quer chegar ao amor através do sexo

desejo sexual masculino é comummente apresentado como uma entidade sólida e inesgotável, uma espécie de mecanismo autônomo, com vida própria, uma força indestrutível do tipo super-herói. Mas será mesmo assim? Os homens estão sempre prontos para o sexo? Não estão, e importa esclarecer este mito.

19 de mar de 2019

O Beijo Grego

Anilíngua

Ou no popular, "cunete", anilíngua ou anilingus significa literalmente o contato entre língua e ânus. Na prática, consiste em lamber e beijar o ânus, pelo prazer em si ou como preliminar para o sexo anal, geralmente com o propósito de relaxar o esfíncter e propiciar uma melhor abertura do ânus. Local provido de inúmeras terminações nervosas, constituindo uma zona erógena bastante sensível a qualquer estímulo.

O termo foi criado pelo sexologista Richard von Krafft-Ebing, em seu livro Psychopathia Sexualis (1886). Uma referência à cultura greco-romana, onde sexo era sinônimo de virtude e algo divino, como se, comparando aos dias de hoje, fosse parecido quando rezamos.

Os gregos e romanos, ou outra civilização clássica, não enxergava as práticas sexuais, por si, vergonhosas, muito menos pecado. Eram manifestações dos seus mitos e deuses, bem semelhantes aos homens de carne e osso em suas paixões - Hera (deusa que protegia casamento), Afrodite (deusa do amor e da beleza), Héstia (deusa do coração e da chama sagrada), Dionisio (ou Baco, deus do vinho, cujo culto era bacanais), citando apenas a mitologia grega.

O herói grego Milon de Crotone (1671-1682), obra de Pierre Puget - "Beijo Grego".


Beijo Grego envolve uma variedade de técnicas para estimular o ânus, incluindo beijos, lambidas, e deslizes da língua para cima e para baixo, bem como ao redor, pela proximidade com os órgãos genitais, podendo ter auxílio dos dedos e das mãos, numa massagem erótica chamada, em inglês de rimming.

Por ser a raiz do pênis ou próximo à vagina, a estimulação anal com a boca e língua também melhora o fluxo sanguíneo e, consequentemente, a ereção masculina ou excitação genital feminina.


Saúde

Porém, existem muitos problemas de saúde que podem resultar da prática, se as bactérias, vírus ou parasitas que os causam estão ligados ou no ânus ou no reto. Incluem hepatite A, hepatite B, hepatite C, infecções intestinais, gastroenterite, poliomielite, papilomavírus (HPV), gonorreia, Herpes simplex vírus, conjuntivite, e outras doenças sexualmente transmissíveis - DST.

Também a introdução do pênis na boca, imediatamente após ter contato com o ânus, pode inadvertidamente introduzir a bactéria Escherichia coli ("E. coli") na uretra, ocasionando uma infecção urinária.


Cultura

É totalmente normal o homem, gay ou não, bem como as mulheres, sentir prazer na região anal, sendo este um ponto extremamente erógeno, conforme já dito. Seja o prazer tátil em toda região das nádegas ou, mais especificamente, a estimulação do reto ou da próstata, introduzindo os dedos, por exemplo.

Para muitos, bem mais erótico que a própria figura fálica, especialmente por conta de todo o tabu em torno do ânus, fazendo desta região do corpo a sua parte mais íntima.

Em uma enquete do Uol, onde se perguntava para os homens "Você acha que um homem heterossexual pode ter prazer na região anal?", 67,92% disseram "Sim. Essa parte do corpo causa sensações prazerosas, independente do sexo ou orientação sexual" e apenas 12,27% se mostrando arredios à ideia, dizendo "Não sei se é possível, mas não gostaria de ter essa experiência".

Enfim, o prazer anal pode estar associado desde as motivações mais instintivas, carnais ou físicas, até as fantasias fetiches, certamente genuínos da relação de poder entre os homens. Assim, o fato do homem sentir prazer com essas carícias não tem nenhuma relação com sua condição sexual. Não significa que estes homens são gays.

Ou seja, o prazer anal independe da sexualidade ou do gênero de quem o experimenta ou pratica. Inclusive mulheres, que podem achar o ato ofensivo ou repugnante, também por nossa cultura, o Beijo Grego pode ser feito inclusive com diversos acessórios de sex shop, como os géis comestíveisbeijáveisfuncionais, com aromas e sabores que podem surpreender os adeptos do sexo com a boca.

Qual a diferença entre Fetiche e Fantasia Sexual?

Objetos de desejo

Parafraseando Descartes e, de quebra, até o Iluminismo, com a icônica frase "Penso, logo existo", as parafilias, ditas como desvios sexuais ou atos de prazer sexual que não visa a cópula, a penetração tradicional "papai-mamãe", nada mais são que parte da nossa razão humana.

Sim! Fantasias sexuais e fetiches são naturais, individuais e inegáveis na nossa existência.

Com a capacidade de pensar, sonhar, imaginar que temos, há de se esperar que, na nossa intimidade (o que move as pessoas e o mundo), dedicamos muito dos nossos pensamentos em favor dos próprios desejos, logo, fantasias e fetiches.




Fotos:  Fetiche (Kauê Penhavel)
 
 
Mas, qual a diferença entre fetiche e fantasia sexual?

Definições:

FETICHE
Objeto a que se atribui poder sobrenatural ou mágico e se presta culto. Objeto inanimado ou parte do corpo considerada como possuidora de qualidades mágicas ou eróticas.

FANTASIA SEXUAL
Ou fantasia erótica é um desejo latente acerca de um ambiente sexual ou situação sexual que possa aumentar a sensação de prazer na hora do ato sexual.



Bom, vimos palavras-chaves para entender e distinguir cada coisa, embora haja controvérsias, se considerarmos o ambiente, a situação que causa desejo sexual como também um objeto de desejo. Este, por sua vez, pode ser um objeto palpável, uma cueca, uma venda nos olhos, amarras, algemas, pés ou situações como transar no elevador ou fazer pagação no banheirão, na rua deserta, nas costas do corno.




Contudo, no modo clássico, consideramos Fetiche o apego aos objetos como vestuário, acessórios e partes do corpo, podendo alcançar satisfação sexual com esses objetos. Já a Fantasia Sexual seria mais focada na situação, inclusive o local inusitado ou público que se encontra, com quem e qual sua "patente".

 
Se podemos exemplificar num mesmo objeto:

Fetiche por farda militar
Fantasia sexual em transar com um militar

Fetiche por poder
Fantasia sexual em transar com meu patrão ou subalterno


Felizmente, cada vez mais aumentamos nossa liberdade e interação para falar disso, seja fetiche ou fantasia sexual, e sem limitar algo tão humano e natural a "desvios" ou fora do convencional, sendo esta última em extinção, ao entendermos que não há padrão certo, quando o assunto é intimidade e sexualidade.

Basta prestar atenção nos próprios desejos, antes de qualquer comparação com outros, menos ainda antes de qualquer julgamento moral, assumindo ou não como parte de si, capaz de oferecer melhor qualidade de vida e satisfação pessoal e sexual, no exercício de autoconhecimento.




Dia do Homem?! Entenda!

Eles merecem!!

"Homem não precisa de um dia deles."

No Brasil, em 1992, foi escolhida a data de 15 de julho para se comemorar o Dia do Homem, por iniciativa da Ordem Nacional dos Escritores.

Segundo Edson Marques, a escolha de tal dia foi uma brincadeira com a data de aniversário da mãe de um dos membros presentes a um jantar da Ordem em São Paulo, no qual estavam presentes a escritora Mariazinha Congílio, o maestro Mário Albanese, o jornalista João Marcos Cicarelli, além do próprio escritor Edson Marques.

A partir de 1993 a Tertúlia Pensão Jundiaí, uma espécie de academia informal de escritores criada por Mariazinha, passou a celebrar o Dia do Homem, escolhendo uma personalidade a ser agraciada com o Troféu Moringa. O jantar e a entrega do prêmio são realizados no dia 20 de julho, data em que o primeiro homem pisou na lua.

Já o Dia Internacional do Homem é celebrado no dia 19 de novembro. As comemorações foram iniciadas em 1999 pelo Dr. Jerome Teelucksingh, em Trinidad e Tobago, apoiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e vários grupos de defesa dos direitos masculinos da América do Norte, Europa, África e Ásia.

Uma data polêmica, considerada até desnecessária, segundo aqueles que a criticam, dizendo que "dia do homem é todo dia", comparando com o Dia da Mulher, por exemplo, com o objetivo de empoderamento, saúde e valorização das mulheres, que, por sua vez, sofrem com o machismo e sexismo todos os dias.

Polêmicas à parte e, talvez, falta de argumento que comprovasse a importância da criação do Dia do Homem, a diretora da Secretaria de Mulheres e Cultura de Paz da UNESCO, Ingeborg Breines, disse que a criação da data é "uma excelente ideia para equilibrar os gêneros".

Foram então que esclareceram melhor a ideia de homenagear os homens com uma data, sendo um dos objetivos principais a saúde dos homens (inclusive dos mais jovens), melhorar a relação entre gêneros, promover a igualdade entre gêneros e destacar papéis positivos de homens.


É uma ocasião em que homens se reúnem para celebrar suas conquistas e contribuições na comunidade, na família e no casamento, e na criação dos filhos. Confira abaixo:


Os 6 pilares do Dia Internacional do Homem

1- Promover papéis masculinos positivos, não apenas de estrelas do cinema, soldados ou esportes, mas de homens do dia-a-dia, cujas vidas são decentes e honestas;

2- Comemorar as contribuições masculinas positivas para a sociedade, comunidade, família, casamento, guarda de crianças e meio ambiente;

3- Focar na saúde e bem-estar do homem: social, emocional, físico e espiritual;

4- Eliminar a discriminação contra os homens e meninos; nas áreas de serviços sociais, nas atitudes e expectativas sociais, e no direito de ter sua identidade de gênero;

5- Melhorar as relações entre os gêneros e promover a igualdade de gêneros;

6- Criar um mundo mais seguro e melhor, onde as pessoas possam se sentir seguras e crescer para alcançar seu pleno potencial.


Os pioneiros da implantação desta data lembram que não há intenção de competir com o Dia Internacional da Mulher, mas o verdadeiro propósito é destacar as experiências masculinas. Conforme listado entre os seis pilares do Dia Internacional do Homem, este destaque se difere do que costumamos entender como sexismo ou machismo, que já valoriza o homem, porém, apenas no campo dito como "coisa de macho" e de maneira discriminatória, limitada.

E é justamente este machismo que promove o sofrimento de muitas mulheres, mas também de muitos homens, especialmente os mais jovens, ainda em formação de sua identidade de gênero. Se o padrão preconceituoso define "homem" como "másculo" (o que é isso?), viril, estritamente racional, insensível, objetivo, "tarado", prático e até grosseiro, aqueles que não possuem estas características, ainda que heterossexuais, acabam sofrendo discriminação por não serem esses "cabra macho de verdade".

O Dia do Homem tem interesse em promover a ideia de um homem livre de padrões, podendo ele ser também sensível, emocional e até efeminado, sendo gay ou não - aliás, o homem homossexual também não deixa de ser homem, a não ser que tenha como identidade de gênero o perfil feminino.


Especialmente no campo da saúde, outro aspecto valorizado no Dia do Homem, onde as pesquisas apontam que a maioria tem bastante resistência de ir ao médico, fazer exames periódicos e preventivos. Homens são geralmente avessos à assuntos relacionados à saúde, falar sério de sexualidade e, ainda hoje, muitos têm vergonha de comprar um simples preservativo na farmácia.

Parece que toda liberdade e libertinagem dadas aos homens, ao longo da história, atrapalhou a vida não só de quem não é homem, mas também dos próprios, justificando assim a importância desta data para o Dia do Homem, no intuito de desmistificar o tabu, preconceito, dúvidas e dificuldades inerentes ao sexo masculino. Quanto melhor este homem se entender e se cuidar (autoconhecimento), melhor pra todo mundo, inclusive eles.

Esta celebração, com nome de Dia do Homem, promove a ideia de que homem também pode ser objeto sensual ou sexual, submisso, interessado em moda / beleza, frágil, sensível, fraco, delicado, educado, fiel, amoroso, pai presente, entre tantas coisas vedadas, há séculos, a este homem.


Arte erótica ou pornografia?

Provocações

Aparentemente não há nenhuma diferença entre arte erótica e pornografia. Além de depender do ponto de vista do espectador, da intenção do artista ou produtor, ambos os casos possuem, entre suas especificidades, uma liberdade infinita, antes mesmo de qualquer censura.

Foto: "A Origem do Mundo" - Gustave Courbet

Com relação ao ponto de vista ou reação do espectador, certamente estamos falando de cultura, onde a leitura de qualquer conteúdo vai depender de nossas crenças, conceitos, preconceitos e noções cognitivas, aprendidas, ao longo da vida, no meio social.

Uma obra de arte figurativa, mostrando a figura humana nua, por exemplo, ainda que não mostre os genitais, poderá ser considerada lasciva para certas pessoas, culturas ou épocas. Por outro lado, uma figura realista de um falo (pênis), pode ser cultuada como símbolo de devoção, como acontece no Festival do Pênis (Japão), o Kanamara Matsuri.

Conta a lenda que durante a Era de Edo (1603-1868), um demônio com dentes afilados, que vivia na vagina de uma mulher, castrou vários homens durante sua noite de casamento. Um ferreiro criou então uma espécie de consolo de metal para quebrar os dentes do demônio.

Hoje, um falo de aço, de um metro de altura, enfeita o pátio do santuário de Kanayama, em homenagem às divindades shintoístas da fertilidade, da concepção e da proteção das doenças de transmissão sexual.

P*NIS FESTIVAL (Kanamara Matsuri)

Além de regional, geralmente por país ou separado em cultura ocidental x oriental, esta leitura e compreensão se o que vemos é arte ou pornografia se refere diretamente à história. Sabemos que na Antiguidade Clássica, na Roma Antiga, Grécia, etc., a nudez era considerada algo comum, representando a beleza natural (ou ideal) humana - o sexo, mesmo fora do matrimônio, não era pecado, como foi considerado após o Cristianismo.

Em tempo, costumamos separar o teor de lascividade dos conteúdos audiovisuais da seguinte forma: Sensual, para nudez ou insinuação sensual moderada, sem mostrar seios ou genitais; Erótico, para quando o conteúdo mostra os órgãos sexuais de também de forma moderada, insinuando (no caso de mostrar um pênis, por exemplo, este não estará ereto); e Pornográfico, para conteúdo erótico explícito e, claro, sexo explícito (aqui o pênis é mostrado ereto).

Mas veja se você consegue então definir o conteúdo desta imagem, após estas predefinições, onde o casal está completamente vestido, mas insunuando um sexo oral!

Daí, vamos para uma outra perspectiva: a intenção de quem fez a arte erótica ou pornografia.

A utilidade da obra, seja ela arte erótica ou pornografia, pode também pontuar esta diferença entre uma coisa e outra. Enquanto que o objetivo da pornografia é estimular sexual e visualmente quem vê ou assiste (pode ser também didático, como nas casas de banho da antiga Pompeia), o intuito das artes não se relaciona ao utilitário, sendo a proposta de reflexão ou contemplação ligada ao conceito, à criatividade e à estética.

Contudo, tanto arte ou pornografia são acobertadas de toda liberdade, antes mesmo de qualquer censura. Neste sentido, o artista é reconhecido por sua criatividade, por trazer à sociedade algo novo, assim como a pornografia, obviamente, não tem nenhum compromisso em ser puritana, muito menos pudica.

Uma longa discussão que, conforme pontuado, depende muito mais do julgamento de quem vê. Inclusive tivemos polêmicas recentes nas artes, com artistas sendo censurados por religiosos ou conservadores, apenas por apresentarem trabalhos que remetem à nudez.

Arte: Pedro Moraleida - exposição 'Faça Você Mesmo Sua Capela Sistina' Palácio das Artes, 2018.

Um desses casos foi com o falecido artista Pedro Moraleida (fomos colegas na Escola de Belas Artes - UFMG) que, após sua obra ter sido alvo de manifestações por parte de grupos religiosos (exposição 'Faça Você Mesmo Sua Capela Sistina'), na galeria do Palácio das Artes (BH), a PQNA Galeria, passou a se chamar PQNA Galeria Pedro Moraleida.

Na época, o cantor e compositor Caetano Veloso visitou a exposição e se posicionou em favor da liberdade de expressão artística em Belo Horizonte. De acordo com a Fundação Clóvis Salgado, a mudança do nome da galeria reafirma o compromisso da entidade “com o estímulo às diferentes manifestações artísticas no Estado”.

Em todos os casos, notamos exageros e pontos de vistas divergentes sobre o que deve ou não ser censurado. Imagens até pueris, que de nada têm de sexo explícito ou realismo, ganham ar de pornografia por alguns, incluindo as políticas das redes sociais como Facebook e Instagram, que excluem postagens que, na interpretação deles, é "Conteúdo Adulto" - um outro termo polêmico, que requer uma outra postagem.

Será que se postarmos uma reprodução da pintura de Courbet, com nu frontal hiper-realista, no Instagram, por exemplo, suas políticas entenderiam como arte? Ou excluiriam como imagem de uso exclusivo adulto?