4 de jun de 2013

Escoteiros na Parada Gay

Sempre alerta!

Mesmo contrariando a regra, um grupo de escoteiros foi à Parada Gay de Salt Lake City, capital do estado norte-americano de Utah, realizada também no último domingo, assim como na Avenida Paulista, no Brasil. Mas o que chamou mesmo a atenção foi que eles estavam de uniforme, levando, consequentemente, também a instituição pra desfilar.

O escotismo é um movimento que nasceu de um militar, o tenente-general do exército britânico Robert Baden-Powell (1857 - 1941), e se organiza de forma semelhante às forças armadas. Como já fui escoteiro, posso explicar rapidamente para quem não sabe nada do assunto. Os grupos locais são divididos em regionais e numerados como os batalhões. Além disso, funcionam hierarquicamente pelos comandos dos chefes de grupo e de tropa, sendo, cada uma, formada por patrulhas (equipes de 6 garotos mais ou menos, sendo a Tropa de três ou mais patrulhas). Assim, os escoteiros se reúnem periodicamente, acampam no mato (e 'armam barraca') e realizam uma série de atividades relacionadas à sociabilidade, respeito e ajuda ao próximo, lealdade, e desenvolvimento das próprias habilidades individuais - coisas que agradam as igrejas, com muitos grupos sendo patrocinados por ordens religiosas. Mas em nenhum momento há posicionamento político relacionado a causas partidárias - 'o escoteiro é cortês', 'amigo dos animais e plantas'..., e uma das principais Leis Escoteiras: '4 - O escoteiro é amigo de todos (...), não importando origem, classe ou credo...'.


De acordo com o site da Veja, o chefe local havia proibido o uso de uniformes em manifestações de protesto ou similares, alegando que os escoteiros são 'neutros', não apoiando assim nenhuma causa social ou política. "Não queremos ninguém usando a sua posição nos boy scouts para defender o seu ponto de vista”, disse o chefe Rick Barners ao NBC News.

A ideia dos escoteiros participarem da parada gay foi organizada por Peter Brownstein, que obedeceu à determinação e não vestiu seu uniforme. Mas disse ter ficado orgulhoso de ver outras pessoas expondo suas opiniões. “Fui basicamente intimidado a não vestir meu uniforme. Eu infelizmente não estou com ele, mas estou orgulhoso que os outros optaram por usá-lo”, disse Peter a uma afiliada da Fox News. O jornal entrou em contato com a instituição e teve a informação de que os escoteiros que usaram uniforme na manifestação não seriam banidos.

Contudo, o porta-voz nacional dos escoteiros americanos, Deron Smith, disse em um comunicado: “Esses indivíduos expressaram uma opinião pessoal e não representam os escoteiros”.  E completou: “O movimento ensina aos jovens que muitas vezes na vida alguém encontra regras com as quais não concorda, mas um escoteiro deve ser obediente. Simplesmente desobedecer uma regra porque você não concorda com ela não é um exemplo para a juventude”.

Se foi coincidência ou oportunismo militante, vai saber... Mas a Parada Gay de Salt Lake City foi realizada dias após a aprovação do ingresso de homossexuais na organização. No dia 23 de maio, mais de 1.400 delegados nacionais do Boy Scouts of America aprovaram a filiação de jovens homossexuais, com mais de 60% dos votos. Os que eram contra afirmavam que o resultado refletiu uma "vitória vazia" dos militantes da causa gay, uma vez que foi mantida a proibição aos adultos homossexuais de servirem como chefes.

A decisão também não agradou muitos pais e líderes religiosos, dando origem até a um encontro, marcado para ainda este mês em Louisville, principal cidade de Kentucky, para discutir a construção do que o organizador John Stemberger (chefe de um grupo que é contra a admissão de gays no escotismo) chama de uma nova “organização de desenvolvimento de caráter” destinada aos garotos.

Os Mórmons e a Igreja Metodista Unida, duas das maiores igrejas dos EUA, disseram que vão manter o apoio aos escoteiros, mas tem outras que já estão tentando romper com seus grupos de escoteiros, para apoiar outras organizações que tenham uma abordagem mais religiosa (The New York Times). Dias depois da votação, o reverendo Ernest Easley, pastor em uma igreja batista em Marietta, na Geórgia, usou o sermão de domingo para pressionar os membros da igreja a transferir seus filhos para outra organização. A igreja de Easley patrocina um grupo de escoteiros desde 1945, mas o pastor diz que não há escolha a não ser deixar a boy scouts. “Não podemos e não vamos abraçar nenhuma organização que está do lado moralmente oposto ao que a palavra de Deus ensina”, argumentou.

É um tipo de posicionamento que não nos surpreende, em se tratando de algo análogo ao militar. Nesta comparação, é de se esperar a não aceitação de gays, já que este termo para eles ainda está vinculado a uma personalidade desviada (torta e não 'reta'), e não suficientemente máscula. Eles acham que um gay não poderia ser um oficial competente, e até vem com aquelas histórias bizarras de 'imagina um policial rebolando', totalmente sem noção, como se a sexualidade estivesse atrelada ao caráter.

Também sabemos dos inúmeros casos de relacionamento gay dentro dos quarteis ou nas igrejas, e que muitos desempenham com toda competência suas funções, mesmo sendo gays. Como já disse, fui escoteiro, já sabia que era gay e, pelo menos, três colegas da mesma tropa também eram. Um deles virou uma famosa drag queen, que era a sensação há alguns anos atrás.

Entre os militares e religiosos, há uma infinidade de matérias, bibliografias e depoimentos que expõe o fato da homossexualidade, também em conventos, mosteiros, seminários..., além de presenciar no dia a dia, policiais e oficiais militares que usam aliança de casado só de enfeite, pra não dizer que foram casamentos de fachada. Eles sabem disso, mas ficam uma fera quando alguém 'escancara', aos quatro cantos, que é gay, levando de brinde a 'respeitada' instituição. Se ficar no anonimato e enrustido, não tem problema.

Agora me responda: se você ver um gari desfilando na parada gay, você vai acreditar que todos os garis são gays? Ou pior: vai achar que um gay não teria competência pra ser gari? Substitua a palavra 'gari' por qualquer outro tipo de ofício (padre, pastor, soldado, policial, lutador de box, jogador de futebol, etc.).

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