15 de fev de 2013

Viagra e Viagras


Ereção na palma da mão

O mundo não é mais o mesmo depois da pílula anticoncepcional e, no sentido contrário, depois do lançamento do primeiro remédio, também pílula, para a disfunção erétil. Amento da qualidade de vida e do tempo com boa qualidade de vida sexual. 'A pipa do vovô' agora sobe, a indústria criou genéricos e falsificações, podendo acontecer também acidentes com os mais eufóricos.

O Viagra foi lançado em 1998, causando revolução no tratamento da impotência masculina. Até então, havia soluções dolorosas em injeções, ou próteses penianas bem incômodas. O novo tratamento consistia em apenas engolir uma pílula, momentos antes de transar. Daí o grande sucesso, mesmo sendo uma alternativa cara, quando chegou nas farmácias. A marca Viagra foi a única opção por pelo menos três anos, até o lançamento, no ano 2000, do Uprima. Em 2003, vieram o Cialis e o Levitra, aumentando as alternativas de tratamento, de acordo com o problema clínico de cada impotente. Aliás, este termo é temido em todos os sentidos - que homem quer ser 'impotente'? Pra piorar a situação, a disfunção erétil ganhou o apelido Broxa (ou brocha). Este constrangimento social pode ser o principal motivo para um homem se afastar de uma consulta médica.

Hoje, além dos medicamentos citados, há uma generosa gama de opções para homens com problemas de ereção, incluindo os genéricos e falsificações. Escutei no centro da cidade, um alto-falante de uma drogaria do lado da rodoviária: 'Viagra genérico! Muito barato... Apenas 4 reais! Antes dos lançamentos destes remédios, os homens nem procuravam médico, seja por tabu, ou por saber das ínfimas e caríssimas opções disponíveis nos consultórios. Depois das 'pílulas azuis' (nem todas o são) porém, surgiram zilhões de homens que se diziam impotentes,  muitos sem nenhuma disfunção no pênis ou na mente, mas em busca de uma melhor performance na cama - Por ser um remédio somente vendido com prescrição médica, aumentou-se as consultas de homens a clínicos e urologistas, o que antes era bem mais raro.



'A pipa do vovô' sobe mais

Com a chegada dos 'viagras' nas farmácias, facilitando o acesso de qualquer um (com receita médica), os homens mais velhos foram em massa se beneficiar da tal 'pílula mágica'. Eles eram também o público alvo do negócio, e viraram até protagonistas de campanhas em favor do uso de camisinhas.

Em 2009, os homens e mulheres da terceira idade ganharam até uma campanha de Carnaval específica para eles se prevenirem melhor. O aumento da incidência do HIV na população acima dos 50 anos crescia como em nenhuma outra faixa etária, de acordo com os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Ministério da Saúde no Brasil. Além do aumento da expectativa e qualidade de vida dos mais velhos, o novo tipo de tratamento para a falta de ereção, natural aos homens idosos, devolveu para eles, a própria 'juventude' - '...meu pau tá durinho igual de muleque de 18 anos!' -, tendo eles novamente uma vida sexual ativa, e não mais 'aposentada'. A campanha visava o fato de estes homens não estarem habituados a usar camisinha, pois no tempo em que eles eram jovens e ativos sexualmente, isso não era corriqueiro. A AIDS não era epidemia, e tinha a pílula feminina (anticoncepcional) para evitar filhos. Como o tratamento para outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) também já não era complicado, o uso de preservativos era quase sempre deixado de lado até o final dos anos 80.

Contudo, os novos velhos passaram a participar mais da vida social, a namorar, casar de novo, frequentar inferninhos e prostíbulos... Enfim, a fazer tudo que um homem 'normal' faz. Imagene esta sensação de uma nova vida, uma segunda change, bem no auge da estabilidade mental e financeira...



Jovens, e as pílulas coloridas de poder

Muitos homens porém, passaram a usar os 'viagras' sem qualquer necessidade. A promessa de 'pau mais duro' junto com a certeza de não 'falhar', gerou um outro público, ávido por realizarem suas fantasias sexuais de modo 'impecável' ou, pelo menos igual aos filmes pornôs.

Com o fácil acesso a sites pornográficos, com seus filmes hard e hough, muitos garotos por aí acham que o sexo tem que ser aquilo: horas de sexo, inúmeras mudanças de posição e... muito 'soca com força!'. Esta virilidade toda acaba virando um objeto de desejo para alguns. Assim, muitos deles, sadios e sem qualquer dificuldade para ter ereção, passaram a também consumir as novas 'pílulas do homem', para aumentar a performance sexual.

Uma 'pílula de poder', como nos quadrinhos, desenhos animados, animes e mangás, dando 'super poderes' ao 'super herói'. Uma visão fantasiada, porém bastante próxima de muitos homens, principalmente quando jovens, onde morte e fracasso são coisas totalmente ignoradas. Isso tudo sem falar da moda, das febres em consumir aquilo que é novidade e cool, da hipocondria, antes mesmo da real necessidade em tomar a droga.


Gay de 'pau duro'

Obviamente, as 'viagras' são consumidos também por homens que mantem relações homossexuais. Gays, uns com o mesmo propósito dos mais velhos ou dos pacientes com dificuldade de ereção (disfunção física ou psíquica), outros com a mesma intenção dos mais jovens (poder sexual), passaram a formar um novo público em busca das 'pílulas milagrosas'.

Todos nós sabemos que a relação homossexual entre homens consiste no sexo oral e, ou anal. Para o coito, principalmente para os 'apertadinhos' é necessário que o pênis esteja bem ereto para entrar. Contudo, muitos gays queixam dificuldades em manter a ereção na hora da penetração, ou depois de colocar a camisinha. Muitos passivos também podem querer 'dar o cu de pau duro', já que é natural nessa hora o pênis ficar 'meia bomba'.


Entenda melhor os 'Viagras'

Dos quatro tipos de remédio para impotência disponíveis no mercado, três deles atuam da mesma maneira: Viagra, Cialis e Levitra. São as chamadas drogas inibidoras da enzima 5-fosfodiesterase. Essa enzima consome o óxido nítrico, que é a substância causadora do relaxamento, conseguindo a ereção do músculo do pênis. Já o Uprima, em vez de agir diretamente no pênis, atua no Sistema Nervoso Central, aprimorando o sinal natural emitido pelo cérebro ao pênis.

As marcas com mais tempo de mercado, como o Viagra, passaram por todos os testes de eficiência, eficácia e segurança. Opções de tratamento seguras geram a oportunidade do paciente escolher o que melhor se adapta. Porém, estes remédias para impotência não agem na libido ou desejo sexual. Eles atuam facilitando ou aprimorando a ereção, a partir do estímulo sexual (preliminares como excitação para auxiliar na obtenção e manutenção de ereção). Somente o tratamento por injeção pode causar uma ereção instantânea - a injeção intracavernosa peniana

A escolha entre as opções desses remédios, ou de qualquer remédio, deve ser feita sempre junto com o médico. Ele vai verificar o perfil do usuário, a situação em que quer usar, os custos do remédio, etc. Embora tenham resultados semelhantes, a composição química dos 'viagras' é completamente diferente entre si. Uma pessoa que tem dor de cabeça ao tomar Viagra, por exemplo, pode não apresentar os mesmos efeitos colaterais ao tomar o Levitra ou o Cialis e vice-versa. E quanto ao uso destes remédios sem recomendação médica (sem necessidade), de acordo com o urologista Eric Wroclawski, pode gerar um 'dano que é criar um atalho não ideal nas relações sexuais'. O médio se refere ao sexo como algo mais completo que os atos 'exclusivamente carnais (...) só a parte final da relação'. O uso recreativo destes medicamentos podem sim causar dependência.   Fred G.



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Bareback (Prós e Contras)
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