11 de fev de 2013

Orações para Bobby, Religião e Homossexualidade

Cinema: Orações para Bobby, filme realizado em 2009, se passa entre os anos de 1975 e 79, e conta uma história verídica de um jovem homossexual, que aos 20 anos se suicida. A sua mãe, Mary Griffith, interpretada por Sigourney Weaver (a senhora Alien), sabendo da sexualidade do filho, acredita poder curá-lo com base na religião e suas terapias. Quatro anos depois, Bobby se lança de uma ponte. É um filme intenso, dramático, e que espelha ainda hoje a realidade de muitos jovens no mundo inteiro.

Prayers for Bobby, título original, é baseado no livro homônimo de Leroy F. Aarons e dirigido por Russell Mulcahy. É protagonizado pela indicada ao Oscar, Sigourney Weaver que, por este filme, obteve diversas indicações e premiações, entre eles o Emmy e o Globo de Ouro. Orações para Bobby, originalmente feito para a TV, foi transmitido na televisão americana um dia antes do Oscar de 2009.

Assista Orações para Bobby
com Legendas em Português:


Sinopse: Mary (Sigourney Weaver) é uma cristã devota que segue à risca as doutrinas de sua Igreja. Quando seu filho Bobby (Ryan Kelley) revela ser homossexual, ela passa a submetê-lo a terapias e ritos religiosos com o intuito de “curá-lo”. No entanto, Bobby não suporta a pressão e se atira de uma ponte, encerrando sua vida aos vinte anos de idade. Depois desse fato, Mary descobre um diário de Bobby e passa a entender de fato o que se passava na mente dele. Também buscando respostas na religião, Mary passa a interpretar de outra forma os textos bíblicos, passando a acreditar que a homossexualidade não é condenável, tornando-se uma ativista dos direitos dos homossexuais.



Religião e Homossexualidade

Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. (João 15:9).  Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós. (Mateus, VII: 1-2).

Uma mãe 'aceitar' ou não um filho gay... Os argumentos encontrados na Bíblia Sagrada para impor que as relações homossexuais são impuras e pecado. Opção sexual ou preferência sexual? Personalidade ou sexualidade? São independentes? Involuntárias? Naturais? De Deus? Saber o que é certo ou errado, principalmente no que se refere ao próprio corpo, é obviamente individual. Porém, somos formados também por questões sociais, coletivas, no infinito jogo de espelhos que nos orienta ao longo da vida. Ora queremos ser diferentes, ora simplesmente iguais. Nesta trilha de aceitações ou negações das próprias vontades e dos outros, o que gera frustração geralmente é levado a um plano espiritual, no intuito de resolver algo que parece ser difícil de ser feito no campo objetivo.


São Sérgio e São Baco.
Respostas que ainda não temos, na inquietude impaciente da puberdade da vida, ou no acúmulo de negações de sentimentos, sufocados durante anos, podem nos levar a procura de apoio em igrejas ou em grupos específicos. Os casos de abuso sexual contra homens nas igrejas evangélicas, que prometem curar o 'homossexualismo'  (termo pejorativo, referindo-se a doenças), podem também gerar suicídio, haja vista a luta contra si mesmo. O pastor de Minnesota (EUA), Ryan J. Muehlhauser, foi preso por abusar de homens durante sessões de 'aconselhamento para se libertar de tendências homossexuais'. Ele pedia que a vítima se masturbasse na frente dele enquanto o tocava.

Também por este caminho de aversões por coisas de dentro de nós mesmos, encontramos, além dos oportunistas e charlatões, os casos de incesto (relação sexual entre parentes), as várias ocorrências de falso celibato, seja entre padres gays ou heterossexuais e, entre os fiéis, tantos casamentos realizados por estes, porém apenas de fachada. Pensamos que os casamentos arranjados é coisa de gente muito rica ou coisa do passado, mas esquecemos que o mesmo pode acontecer com os casamentos forjados entre gays, apenas para manter a 'boa aparência' e o mesmo lugar na sociedade: de uma família tradicional.

Bento XVI beijando Safwad Hagazi em montagem da Benetton.
Campanha polêmica da Benetton em 2011, contra o ódio e o preconceito, com montagens de beijos entre personalidades políticas - em português: 'Deixe de odiar!'. Na foto: Bento XVI beijando o Imã do Cairo, Safwad Hagazi. O Vaticano condenou a manipulação de imagens.

Contudo, os maiores bombardeios contra  o estilo de vida gay, vem dos religiosos católicos e protestantes evangélicos, argumentando com passagens da parte mais simbólica da Bíblia, o Antigo Testamento. Em contra partida, o Padre Fábio de Melo, ao responder um pedido de ajuda em seu programa de TV, de uma mãe que queria saber 'como lidar com a homossexualidade', diz: "Primeiro, não veja isso como a pior coisa do mundo. Uma mãe e um pai leva o filho a perdição, no momento em que consideram a homossexualidade uma coisa mais vergonhosa". Por outro lado, o maior líder da religião católica comunicou sua renúncia nesta segunda-feira de Carnaval, que será oficializada no dia 28 de fevereiro. Bento XVI será o primeiro Papa a virar ex-Papa. No texto da sua comunicação, Bento XVI alega a idade avançada (85 anos), dificultando o seu papado, além de outras questões pessoais. Os religiosos dizem que o Pontífice vinha sofrendo pressões da igreja católica e da sociedade, de acordo com seu perfil conservador: o posicionamento para as pesquisas com células tronco, o casamento gay e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, os casos de pedofilia, entre outras pedras no sapato do catolicismo, como a condenação do uso de camisinha para quem quer evitar filhos e DSTs. Outro fato importante, foi a prisão do seu assessor por divulgar uma carta do Vaticano, a princípio um documento secreto. Estas e outras pressões do mundo moderno parecem ter pesado na decisão inédita do Papa, anunciada nesta manhã (11/2/2013).

Para a Umbanda dos Orixás, as almas geradas há muitos anos atrás, com uma força de um orixá de essência masculina, terá no seu íntimo essa essência aflorada, independentemente de sua atual encarnação. Hoje, um homem que sente atração por outro homem, muito provavelmente tenha na sua alma a força da natureza feminina, e por talvez uma resolução de Karma, o desencarnado decidiu que deveria vir nessa vida como homem.

Na visão espírita, Jesus nada disse sobre a homossexualidade e o que contém na Bíblia vem de traduções, muitas vezes equivocadas, feitas sob o interesse das religiões ditas cristãs. Nos livros de Emmanuel e de André Luiz é possível ver referências importantes sobre o tema. Chico Xavier, inspirado por Emmanuel, fez uma preleção no Programa Pinga Fogo na extinta TV Tupi, em 1971: Não vejo pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais às tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impediria certo numero de pessoas de trabalhar e de serem úteis à vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria."


Outra vertente, que também atribui a tendência homossexual antes mesmo de nascermos, é científica. Para a Ciência, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Associação Americana de Psiquiatria em 1973. No Brasil, em 1985, o Conselho Federal de Psicologia deixou de considerar a homossexualidade como um desvio sexual e, em 1999, estabeleceu regras para a atuação dos psicólogos em relação às questões de orientação sexual. O termo Homossexualismo deixa de ser recomendado para se referir às práticas homossexuais, pelo fato de remeter-se às patologias, doenças (-ismo). Outro termo também discutido foi Tara, de Tarado, também politicamente incorreto para falar das preferências e fantasias sexuais de cada um.

Vendo todas estas nuanças junto com minhas convicções, acredito que todas as religiões que visam o bem para todos, utilizam a regra máxima do Amor. Seja pelo altruísmo  pelo 'aqui se faz, aqui se pega', ou pelo 'toma lá, dá cá', o sentimento de amor ao próximo está presente em todas estas religiões, contradizendo-se muitas vezes quando se fala em sexualidade, vista como ato secreto e vergonhoso desde os antigos jesuítas que mandavam os índios vestirem roupa. Não importava, naquele momento, se a malícia em ver um corpo nu estava na cabeça dos Tupiniquins. Mas quem ama, não respeita? Não foi o que aconteceu quando eles ignoraram a cultura já milenar dos povos indígenas, nem com a religião dos negros, politeísta até serem escravizados pelos brancos e serem proibidos de dançar, batucar e realizarem seus Ebós e oferendas. Assim, seja em qualquer ponto de vista, o que deve prevalecer é o amor entre os homens, 'como Jesus nos ensinou', e como a natureza nos ensina todos os dias ('quem planta, colhe'). Portanto, caso tenha problemas em aceitar suas vontades, por favor 'não corte os pulsos', mas procure um profissional. Seja psicólogo ou psiquiatra, ambos estarão aptos a lhe ajudar lidar melhor com você mesmo.   Fred G.

Leia mais:
Fé e sexo - Ser gay é pecado? Texto da coluna Sociedade do site Carta Capital, escrito por Cynara Menezes (11/11/2011) // Homossexualidade na visão espírita // Resenha do Livro O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade

Relacionados: filme gay cinema temática drama homossexual ex-gay terapia neopetencostal petencostal evangélico homens religião polêmico pastor Silas Malafaia Assembleia de Deus tabu fé comportamento Ryan J. Muehlhauser Papa Vaticano

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este comentário poderá ser publicado no novo site homemrg.com