3 de out de 2015

Humor: Ferdinando Show

Vi-nhaaaaadooooo!!!

O concierge mais pintosa, glamouroso e carismático do Brasil, Ferdinando, o ator e comediante Marcus Magella, bombou na sua 1ª temporada do programa humorístico, de entrevista ou talkshow Ferdinando Show, exibido  no canal Multishow. E é mesmo muito show, com talento sobrando e super reconhecido, tanto pelas participações nas enquetes do Porta dos Fundos (lembra do Sandrinho com Jesus tentando curar sua... gastrite?) e também pelo hilariante Ferdinando, do Vai Que Cola, fazendo todo mundo se apaixonar já de cara ("100 por centa"!), na origem de uma personagem que virou estrela.

Os termos utilizados aqui são todos inspirados na linguagem de Ferdinando, ou da cultura gay, em seu apogeu de viadagem e muita "gritaria".

É o que podemos chamar de cultura das bitch, bee ou queer* ou vi-aaa-dooooo! Aquelas bibas ditas indiscretas, que soltam mesmo a franga, sem nenhum medo de ser feliz. Aliás, a fechação ou pinta exacerbada são alguns dos inúmeros estilos de vida e formas de comportamento que temos por aí e, digamos, até uma fonte de prazer, no sentido da contracultura de estar se libertando de certas regras sociais e morais - uma contestação da simplória definição do mundo entre bem e mal, macho e fêmea.

* A teoria queer, oficialmente queer theory (em inglês), é uma teoria sobre o gênero que afirma que a orientação sexual e a identidade sexual ou de gênero dos indivíduos são o resultado de uma construcão social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais.

Voltando ao programa, a maior novidade seja talvez o fato do entrevistador ser um personagem e, por sua vez, entrevista outros personagens, como o Jefinho do Pagode (Rodrigo Sant'Anna), Filó (Gorete Milagres), Terezão (Cacau Protasio), Fátima (Samantha Schmütz), a Bicha Bichérrima, personagem de Paulo Gustavo, e até sua inspiração e famosa Minha Mãe É Uma Peça, Dona Déa.  Tudo isso está na própria realização do sonho de Ferdinando, da Pensão da Dona Jô: ser famoso e ter seu próprio programa de TV - e badaladíssimo, meu amooor!

Ferdinando Show é um late-night talk show que, além de entrevistas hilárias, traz outras atrações, como os shows de abertura, onde ele mostra suas versões de Miley Cyrus, Madonna, BeyoncéAlcione, Wanessa, Shakira, entre outras divas do universo gay. E o quadro "Quem quer se montar?", transformando uma biba da plateia em drag queen, com maquiagem, peruca e até um showzinho - um "projeto social", como diz o próprio apresentador.


Nesta 1ª temporada de 20 episódios, Ferdinando entrevistou estrelas como Alcione, Lorena Simpson, David BrazilNany People, AnittaCompadre Washington e Beto Jamaica, Roberta Miranda Elke Maravilha. Participam também do programa Polly, a repórter do programa, DJ Zelda, comandando a trilha sonora e sons de efeito, e os gogostosos Jonathan Dobal e Guilherme Trestini, seus assistentes de palco. Como  diz o dono do programa, servir uma simples água ao convidado é "um evento", com os boys desfilando toda a magia para a felicidade e delírio geral da nação. Veja abaixo a playlist com a 1ª temporada de Ferdinando Show:

Guilherme Trestini, Polly, Zelda, Ferdinando e Jonathan Dobal.










Sambando na cara da sociedade

Que que é, vinhadoo?! Sou bicha mesmo... Adoro ser viadoooo!!! Resumindo o orgulho gay exacerbado, exagerado, radical e até agressivo em ser bem efeminadopintosa. Ao contrário do que muitos desejam, em "ser gay, mas não sair por aí dando pinta", como em comparação com o machismo às mulheres, em culpá-las por saírem por aí seminuas ou se comportando como "piriguetes" - afinal, toleramos mais facilmente quando as coisas não passam das quatro paredes, levando como um insulto (para os conservadores) a real demonstração da própria personalidade, seja ela qual for e, principalmente, se for muito fechativa ou, como dizem os beatos, "indecente" de mais. Muitos homofóbicos só o são quando a coisa é exposta para todo mundo ver, dizendo que não se importam com o que cada um faz escondido, mas não toleram viadagem em público. Em outras palavras, a famosa hipocrisia.

A questão é que não se trata de algo íntimo ou pornográfico, que poderia estar mesmo limitado ao armário, mas de uma expressão de pessoalidade, levando em conta que somos diversos por natureza e que o tipo de gay pintosa existe e não o faz para chocar ninguém, apenas para ser como é.

Assim, o humor feito através do personagem Ferdinando não é o mesmo das habituais caricaturas de "viadinho" que vemos nas novelas e programas de comédia por aí, geralmente representadas por atores supostamente heterossexuais que, mesmo talentosos, não conseguem identificação com o público gay, seja este efeminado ou másculo. É uma questão mais conceitual do que visual e, geralmente, o fiasco destes personagens gays é que acabam se mostrando como homofóbicos, gongando o jeito lacrativa de ser, ao invés de ostentar o Humor Gay, uma particularidade mundial, identificável por todos os gays (seja também pintosa ou não) e uma galera de simpatizantes - piadas de máfia gay ou fazer a linha bandida, o xoxo, a queimação, o deboche, o mundo dos famosos e boys magia, o exagero e a ironia, tudo com muito gosto, glamour e muito orgulho. Um humor específico que, após uma maior integração e liberação entre supostos héteros e supostos gays, atinge também o público em geral. Mas, uma coisa é rir de uma bicha engraçada, das coisas que ela diz, da maneira com que fala, seu ponto de vista hilário, e outra coisa é achar engraçado apenas o fato desta ser gay - um estigma que faz muita gente ser preconceituosa mesmo sem querer, bastando rir quando insinuamos, na 'brincadeira', que alguém seja gay. Por que Ferdinando não pode chamar todo mundo de "viado", se até os bofes héteros podem chamar uns aos outros assim, também na 'brincadeira' ou na camaradagem?

Paradoxalmente ultra babadeira, esta criação de Marcus Magella é tão verdadeira e palpável quanto caricata e conceitual - há pessoas assim e, mesmo não o sendo, há momentos que muitos de nós acabamos nos permitindo ou necessitamos fazer o tipo, seja por brincadeira gay ou por pura extravagância. As "bichas bichérrimas" podem ser vistas em qualquer lugar do mundo, sempre com muito carão, uso de vocabulário próprio e o culto ao fashion e às divas do pop. São gays efeminados, cheios de si, que aquendam dialeto, adoram criar novas gírias gays e, principalmente, se comportam como verdadeiras estrelas de Hollywoodum luxo! Não é à toa que o termo "divo" também se refere aos gays, ainda que enrustidos.

Assim, os rótulos 'gay' e 'homossexual' estão longe de serem meros sinônimos. 'Homossexual' seria mais específico para definir as relações sexuais, como o próprio adjetivo já diz. Mas, Gay, este vem todo inserido numa cultura purpurinada, glamourosa, muita boate, bate-cabelo, música de show de drag queen, desfile de moda, ferveção, entre tantos outros bafões e babados, mais próximo da tradução literal "alegre" - estes podem ser sim o mesmo que dizer fashionista, "sua travesti" ou amapô, sempre prontas para arrasar. Aliás, este é um estilo tão específico que tem até amapô de verdade que pode ser considerada uma verdadeira biba, como a rainha de todas Elke Maravilha, a cantora Baby do Brasil, a atriz Cláudia Raia, Preta Gil, e tantas outras que "adogo o périgon", causando sempre com muita atitude, muita pinta, e em qualquer lugar.



O sucesso e carisma de Ferdinando, que vai além do público LGBT, tem a 2ª temporada de Ferdinando Show garantida e, junto, ótimas risadas. Atualmente, o personagem também pode ser visto na telona, em Vai Que Cola - O Filme, com lançamento mundial na última quinta-feira, dia 1/10/2015, nos cinemas de todo o Brasil. Sem maiores spoilers, só digo uma coisa: Lacração pouca é bobagem, viado! Simplesmente imperdível - "morri de sunga branca" até 2030, quando completarei meus 18 anos de idade...

O longa, baseado no sitcom de maior sucesso do Multishow, é dirigido por César Rodrigues e João Fonseca, e escrito por Luiz Noronha e Leandro Soares.

Um comentário:

  1. Vcs disseram tudo. Esses dois Marcus Magella e Paulo Gustavo se não existissem, teriam que ser inventados. Eles são ótimos, além de muito talentosos no quesito comédia. Parecem ser pessoas ótimas. Passam pra gente uma alegria de viver, uma energia boa, parece que está sempre tudo bem pra eles. E tomara mesmo que esteja. O Ferdinando, ele é uma bicha que brilha, linda, maravilhosa, estilosa e poderosa. Vejo os programas e com certeza verei o filme. Parabéns pra essas duas feras do humor gay. OBS: Vejam uma entrevista que eles fizeram para o Telecine (face) vcs vão gostar, muito boa e divertida. Abraços.

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