13 de out de 2013

Cinema: Head On

O que eu quero de mim?

Sonhar e viver com libertinagem e, quando vem um suposto romance, não saber lidar com o amor. É o que parece acontecer com Ari, protagonista do filme Head On (1998), que desde a juventude luta contra a sua identidade sexual, tendo assim vários encontros desajeitados, tanto homossexuais quanto heterossexuais. Veja o Filme Completo: Head On (Legendado)



O longa australiano de Ana Kokkinos, com roteiro de Andrew Bovell, é baseado no livro Loaded (1995) de Christos Tsiolkas. Assim, Head On (De Cabeça) traz a história de um belo jovem grego que, embora não tenha nenhum problema com o desejo de ficar com outros homens, sente um certo desconforto em rotular-se gay. No drama / romance, Ari (Alex Dimitriades) não se prende a nenhuma definição, herança racial ou cultural. Ele se recusa a seguir os padrões de identidade que a sociedade, sua família e seus colegas querem que ele tenha.

Consequentemente, Ari evita o trabalho e o estudo, tornando-se frustrado e impaciente quando as pessoas parecem exigir que ele faça alguma coisa, mesmo quando ele já o queria fazer. Preso entre a cultura tradicional grega de seus pais imigrantes e sua posição na sociedade australiana de hoje, e não se sentindo à vontade em nenhum desses ambientes, Ari se esforça em encontrar um lugar em que possa ser ele mesmo, sem restrições e imposições externas ou pré-definições e conceitos.

Na luta contra o tédio, Ari entra de cabeça nas drogas e na promiscuidade, sempre na discrição de um autêntico enrustido - uma fuga que usa os excessos como remédio para as dores que sente em não querer se enquadrar em um determinado padrão social. Quer todavia fazer diferente, livre e sem amarras, mas na lógica em sempre contrariar ou ser contrariado. Basta pedirem para fazer qualquer coisa, que perde o tesão, como se o bom mesmo fosse a perversão - corromper ou ser corrompido.

E o que a vida espera de nós? Ou o que o mundo espera que nos tornemos? Pais de família, com situação financeira estável, capaz de bem encaminhar os filhos... Ou que seja uma pessoa especial, criativa, desejável, potente, forte e corajosa...

No início da fase adulta, é comum aos adolescentes contestarem estas regras e desejos, tentando pelo menos experimentar algo diferente disso: o sexo sem compromisso, muita farra ao invés de trabalho duro, bebedeira, entorpecentes, e tudo que possa parecer coisa feia ou maldita, mesmo correndo o risco de seguir um caminho sem volta. Se vão mesmo virar adultos, por que não aproveitar a vida antes? Isso se pintarmos a maioridade como algo tenebroso, sério e muito chato, como veem os jovens, e a vida como uma grande viagem alucinada.

"Eu sou um marinheiro / E também uma puta / E eu continuarei sendo a vida inteira." Assim conclui o protagonista, vendo-se impotente em ser igual aos outros, haja vista que tanto lutou pelo contrário. A violência, sempre utilizada como fio condutor para a sua felicidade ou desabafo (inclusive no sexo), faz dele incapaz de lidar com algo mais convencional, como o romantismo por exemplo. É como preferir o mais difícil do que apenas relaxar e sentir - pensar que o que quer de si tenha que ser no mínimo diferente do que querem de si.

Veja também:
Listas de Reprodução do Canal Homem RG
Filmes - Gay  e  Gay Short Film - Curtas

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