23 de fev de 2014

Arte: Michael Leonard

Tira a camisa!

Enquanto trabalhava fora, nos estúdios de ilustração, em casa, Michael Leonard experimentava e tentava descobrir seu estilo como pintor. A partir de 1972 vários dos seus trabalhos já faziam parte das exposições coletivas da galeria Fischer Fine Art, em Londres, sendo sua primeira individual realizada em 1974.

As recorrentes imagens com o movimento de figuras de homens tirando a camisa, o que muito evidencia o próprio corpo masculino, tem como objeto de observação um canteiro de obras situado em frente ao seu ateliê, onde trabalhadores braçais integravam uma composição não estática e, ao mesmo tempo, estruturada pelas grades e andaimes.

Algo que parece desvendar a própria estética deste artista contemporâneo britânico.

Nascido na Índia em 1933, Michael Leonard voltou para a Inglaterra aos 12 anos de idade com seus pais britânicos, em 1945, com o fim da guerra na Europa, dando continuidade aos seus estudos. Em 1954, após dois anos de serviço militar no exército, ingressou na St Martin’s School of Art em Londres, estudando design comercial (artes gráficas) e ilustração. Quando deixou a escola de arte em 1957, Leonard já trabalhava como ilustrador freelancer e, por muitos anos, ilustrou livros, revistas e jornais, além da publicidade. Desde esta época, o artista já sonhava em expressar algo mais próximo da sua visão pessoal das coisas, experimentando uma produção mais autoral (biogr. no site M. Leonard).

Como o próprio artista diz na sua autobiografia: "No começo, as minhas fotos tendiam ao formal, sóbrio e discreto - uma tentativa, talvez, de me distanciar dos valores sensacionais do mundo comercial. Aos poucos, meu trabalho se tornou mais animado e colorido".

Leonard utilizou seus próprios amigos como modelos, além de retratar clientes e nobres, como Lincoln Kirstein, Edward Lucie-Smith, Adrian Ward Jackson, Sir Peter Moores e o Marquês e Marquesa de Hartington (agora o Duque e Duquesa de Devonshire). Em 1985, foi contratado para pintar um retrato da Rainha Elizabeth II (foto), em homenagem ao seu sexagésimo aniversário - o retrato pertence à coleção permanente da National Portrait Gallery’s, também situada em Londres, em funcionamento desde 1856.

O que mais chama atenção nas pinturas de Michael Leonard, além do realismo, é o movimento da figura humana, principalmente o nu masculino, equilibrada por uma composição quase matemática - me faz lembrar Edgar Degas (1834 - 1917) e suas bailarinas de carvão e pastel prestes a cair ou a evoluir para o próximo passo; ou da fotografia conhecida por 'instantâneos', retratando um momento de uma cena. O grafismo vem dos próprios desenhos / estudos, evidenciando e exaltando o corpo masculino, através de leves movimentos e composição elegante que, por sua vez, equilibra o quadro. Algo feito mesmo para ser contemplado, aquele instante ou detalhes específicos que, mesmo sendo hiper realistas, só estimula mais nossa imaginação.

Além de extremamente sensual, tirar a camisa é realmente um ato próprio dos homens, uma vez que as mulheres não ficam arrancando a roupa por aí afora - digo, sem nada por baixo. Movimentações do corpo, suas dobras, tensões / tônus, e os efeitos visuais que percebemos na sua anatomia (músculos, ossos e pele, distorções de ângulo, proporções, texturas, luz, cores, etc.), fazem o honrado papel de destacar a beleza do físico masculino em momentos sutis e simples da vida... Como tirar a blusa em dias quentes, se despir ao se trocar ou para fazer sexo.

Assim, o ângulo de visão ou ponto de vista parece ser o verdadeiro protagonista destas representações (ainda comparando a Degas), focalizando certos status do homoerotismo: partes do corpo como a lateral do torso e das nádegas, a parte interna das pernas, costas, marcas de sunga, pelos pubianos... Expondo e festejando estes pormenores de forma espetacular - como se dissesse 'esta imagem merece ser emoldurada e colocada na parede!'. Ou ainda, vendo pelas lentes dos paparazzi (fenômeno contemporâneo ao artista), sempre ávidos por flagrar certos lances, barrancos e tantas outras intimidades do corpo das celebridades.

Veja mais imagens da obra de
Michael Leonard
Aprecie sem moderação!





























3 comentários:

  1. Tem atitude mais máscula que tirar a camisa em público? O trabalho de Leonard aproxima a viril estética à delicadeza de Degas. Não conhecia este pintor, mas gostei do seu trabalho, até porque sou apaixonado por artes, por tirar e andar sem camisa nas ruas e por admirar o torso masculino, principalmente os peludos e com grandes mamilos. Deveria ser lei os homens andarem SEMPRE sem camisa nas ruas e locais públicos. É muito bonito!

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  2. Quero transar com alguém bem dotado com mais de 20 cm

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