30 de jan de 2013

Peter Berlin: Sedução Exibicionista

A década de 70 foi marcada por inúmeros acontecimentos sociais e políticos, e caracteriza-se visualmente através da Moda daquele tempo, citada hoje como estilo Vintage (retrógrado). Entre os homens, talvez o que melhor caracterizou este ambiente foi o desenhista finlandês conhecido como Tom of Finland, por seus incríveis desenhos homoeróticos (cheios de detalhes do comportamento gay daquela época - roupas de couro/ Leather, fardas, botas, cacetetes e quepes, roupas justas no corpo), dos anos 70 ao início dos 80. O estilo de Tom, com a figura masculina em destaque, observadas de forma exagerada, inspira inúmeros artistas (de várias áreas) até os dias de hoje. E contemporâneo a ele, surge um dos principais ícones da sexualidade masculina, o modelo, artista, fotógrafo e cineasta erótico, Peter Berlin, que usou seu próprio exibicionismo como forma de expressão e arte.

Armin Hagen Freiherr von Hoyningen-Huene nasceu em 1942 e passou a ser conhecido com Peter Berlin, a partir dos anos 70. Desde o começo da década, Peter definia o arquétipo de erotismo gay do seu tempo, lembrado até hoje no mundo inteiro. Sim, é aquele de calças justíssimas, magro, cabelo loiro compridinho em forma de cuia, às vezes com lencinho amarrado no pescoço ou quepe na cabeça, que se fotografava em poses sensuais, inspiradas no exagero de Tom para a representação do HOMEM.

Sobrinho-neto do famoso fotógrafo de moda George Hoyningen-HuenePeter cresceu em uma família pobre, aristocrática em Berlim durante os anos 1940 e 50. Nos seus 20 anos de idade, trabalhou como fotógrafo para a revista de moda alemã TV VIP Schaukel, tirando fotos de celebridades europeias  como Catherine DeneuveAlfred HitchcockKinski Klaus e Brigitte Bardot. Sua verdadeira paixão, no entanto, estava em se fotografar em poses eróticas e criar roupas apertadas e sob medida (milimetricamente) para vestir, bem como de andar se exibindo pelos parques e estações de trem de Berlim. No início dos anos 70, mudou-se para São Francisco (EUA) e logo tornou-se atração nas ruas, desfilando com trajes que ele mesmo produzia de forma bem sugestiva e peculiar. Uma cidade conhecida pela alta concentração de gays, com bairros específicos e tudo, Peter não precisava fazer nada além do que caminhar com seu belo corpo para colecionar seus admiradores. Alguns o seguiam e ele gostava. Mas para Berlin, o 'sexo' já estava acontecendo antes mesmo do encontro do admirador com o sedutor (ou do voyeur com o exibicionista).

Neste início e meados da década de 1970, Peter Berlin criou alguns dos mais reconhecidos imaginário erótico masculino gay de seu tempo. Servindo como seu próprio fotógrafo, modelo e designer de moda, Peter deu cara nova ao Auto-Retrato e tornou-se uma sensação internacional. As fotos de Peter quase sempre chamavam atenção para o grande volume que apresentava entre as pernas, além das poses provocantes e do olhar envolvente. Um símbolo sexual, uma Pin-Up. Em algumas fotografias foi utilizado a técnica da sobreposição de filmes com fundo escuro, repetindo sua imagem em uma mesma foto. Com esses efeitos especiais, o fotógrafo e modelo garantia fácil a publicação de suas fotos em revistas especializadas, algumas utilizando papel e fotolitos sofisticados. Seus auto-retratos também  foram amplamente divulgadas e vendidos, tornando Peter Berlim um nome familiar gay e uma celebridade internacional. Ele também foi o tema de várias fotografias de Robert Mapplethorpe, seis desenhos de Tom of Finland e uma fotografia de Andy Warhol. Suas imagens foram exibidas no mundo todo, mais notavelmente na exposição Split / Vision (Nova York, 1986) com curadoria de Mapplethorpe, e na exposição Berlin em Berlim na galeria de arte Leslie / Lohman (Nova York, 2006).

Colaborou com o amigo Richard Abel em um filme pornô hardcore intitulado Nights in Black Leather (Noites em Couro Preto - 1972), interpretando o papel principal. O pôster de Peter nos cinemas foi uma sensação, e ajudou a fazer do filme um enorme sucesso underground.  Em 1974, Peter Berlin dirigiu, produziu, escreveu e estrelou no seu segundo filme, That Boy (Esse Menino - 1974), creditado ainda como Peter Burian. Berlim foi forçado a mudar seu nome artístico depois de um ator chamado Peter Burian ameaçar processá-lo. Além dos dois longas, Peter fez quatro vídeos eróticos (curta-metragem, na época), em meados da década de 1970: Blueboys, Waldeslust, Ciro an Peter, e Search. Berlin também foi atração durante anos em casas noturnas lotadas e, juntamente com outros pioneiros realizadores eróticos, como Wakefield Poole e Deveau Jack, ajudou a trazer legitimidade artística nos filmes eróticos de gay masculino.

Embora Peter tenha se afastado da badalação a partir dos anos 80, ele continua a fazer vídeos de si mesmo e vive tranquilamente em São Francisco, onde ainda é bastante reconhecido nas ruas pelos fãs. Em 2005, o cineasta e escritor Jim Tushinski dirigiu e co-produziu (com Lawrence Helman) o longa-metragem documentário That Man: Peter Berlin , iniciando um ressurgimento do interesse em obras de Berlin - um artista que usava como ferramenta de trabalho seu próprio exibicionismo. O documentário estreou em 2005, no Festival de Cinema de Berlin e ganhou vários prêmios em festivais ao redor do mundo. É um filme que  reconecta o grande astro Peter Berlin aos seus fãs mais velhos e apresenta o ícone da sensualidade gay para a nova geração. (Em 2006, Berlin lançou um site dedicado ao seu trabalho: peter-berlin.com).

Veja o documentário That Man: Peter Berlin (2005):

 

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