17 de nov de 2013

Homem Perua e a ostentação da liberdade

Árvore de Natal...

Ou estrela guia? Seja ostentando poder econômico, conceito ou fazendo crer numa suposta propriedade em se vestir com exagero e propositalmente de maneira estranha, inusitada, ser extravagante acaba se tornando uma opção de vida para muitos homens. Novidade ou simplesmente uma postura punk de contestação dos padrões da moda compartilhada pela maioria das pessoas.
Foto: MC Guimê e a ostentação do luxo

Regras de Certo e Errado somem quando o gosto é pessoal, o estilo pretensiosamente único e a experiência em lançar novidades como expressão artística ou individual, primeiramente com o espírito de liberdade - o poder em se vestir como bem entender.

Subtende-se que aqueles que se vestem com liberdade, podendo fugir do tradicional ou da modinha comum a todos, são também livres no comportamento - aqueles que 'fazem o que querem'. Artistas e pessoas que não precisam seguir um padrão de postura 'séria' (eles tem carta branca) são os mais adeptos aos figurinos inusitados e repletos de informação, pesquisa e criatividade.

Por outro lado, com o advento do homem metropolitano, está cada vez mais comum encontrar nas ruas pessoas do tipo, hiper produzidas e exibindo um estilo no mínimo chamativo de ser - talvez com o intuito de se destacarem no meio de tantas variações em se vestir, ou de se posicionarem como donos do próprio nariz. Melhor do que se importar com o que os outros podem falar do look exagerado, todos acabam concordando: esse tem coragem!

Nem só de Elke Maravilha, Baby do Brasil e Lady Gaga se faz uma boa peruíce. A criatividade no visual com requinte artístico atinge também algumas personalidades masculinas. Entre os famosos brasileiros, podemos citar como precursor de um estilo exuberante o cantor Ney Matogrosso (foto), que já rebolava fantasiado de aborígene peludo desde bem antes do sucesso Homem com H. Uma imagem nunca vista antes, que trazia principalmente uma sensualidade erótica, além de exótica.

Mais recentemente, na pop music brasileira tem o look totalmente axé de Carlinhos Brown, uma tradução do que seria o Brasil (ou a Bahia), misturando roupas e acessórios inspirados nos quatro cantos do mundo. E outra figura marcante, já no Rio, a frente da escola de samba Mangueira, Ivo Meirelhes fazia quase o mesmo com os cabelos, sempre coloridos, verde limão ou rosa pink, trazendo modernidade para o tradicional estilo de sambista (terno, chapéu e bicolor).


FotosCarlinhos Brown e Ivo Meirelhes

Abrindo um parênteses, é claro também uma das tradições do povão em se apresentar quase sempre com um visual mais exagerado, comparando com o que veste a elite, geralmente de forma mais sóbria e sem muita graça. Mesmo com as controversas, pois um chapéu de gala no turfe poderia ser muito mais exagerado do que uma saia curtíssima de periguete, o pobre sempre levou a fama de criador do brega, deixando o cafona para os endinheirados - nota-se que na palavra brega há um humor mais colorido do que em cafona, mais empoeirado.

Assim, entre os homens do subúrbio, sempre foi comum também depararmos com aqueles que gastam horas diante o espelho, esticando ou enrolando os cabelos, passando brilhantina nos anos 60, fazendo escova nos anos 80... E entre os poderosos das favelas, negros de cabelo loiro (foto: cabelo oxigenado) nos anos 90 e, ou desenhados com navalha. Brincos, argolas, anéis, correntes, tatuagens, e tantos outros badulaques e tratamentos de beleza fazem parte do universo do homem aqui chamado de perua.

Entre os homens perua, de look extravagante, podemos dividir entre aqueles que param em uma determinada época, refazendo o visual com roupas exageradas, porém de estilo antigo, datado, sendo quase como um personagem fora do contexto. Outros pulam de paraquedas no universo fashion, e lutam constantemente por apresentarem novidades top da moda - o relógio da hora, os óculos do momento, o pisante irado, etc.

Filho de políticos, o roqueiro Supla (foto), inicialmente punk, vem sempre nos surpreendendo com suas roupas lindamente bizarras, com know how em Nova York e tudo mais. Garoto rico e rebelde, é na verdade uma simpatia, e diz que ele mesmo é quem faz as produções e customizações, adaptando as peças de roupas e acessórios ao seu estilo diferenciado.

No futebol, Daniel Alves (veja em Fotos Relacionadas) vem sendo apontado como homem perua, pela forma extravagante que costuma se apresentar fora e dentro do campo. As maluquices com os cabelos de Neymar viram fichinha perto do que Daniel é capaz de fazer com todo o visual. Pode ser na balada ou na praia (até só de sunga ele chama atenção cheio de tatuagens) que o jogador tem sempre uma peça (ou mais de uma) chamativa, fazendo a festa dos paparazzi.

Recentemente no Programa do Jô, Daniel Alves caprichou no figurino, se apresentando vestindo um smoking super fashion, com a gola toda em swarovski ou coisa parecida e gravata borboleta - um traje de gala com o brilho do craque do futebol brasileiro e europeu.

O estilo exuberante de Ney Matogrosso nos liga também a outras figuras pop, como o cantor Marilyn Manson, o estilista da Channel Karl Lagerfeld e até ao artista Salvador Dali. Difícil saber se o ovo veio primeiro que a galinha, onde já foi comentado sempre haver este tipo de gente, que gosta de aparecer com roupas extravagantes, fora do comum, seja como expressão artística ou estilo de vida (veja em Fotos Relacionadas).

A ostentação de um grupo ou pessoa através de um culto a determinada maneira de se vestir transpassa todos os movimentos musicais, desde a música erudita até os dias de hoje, ditando modas como cueca de fora e touca de meia fina na cabeça para a galera do rap, botas e chapéu de cowboy para os sertanejos, moicanos ou carecas do punk, os cabeludos do rock... Roupas pretas, bermudões, camisetas enormes do basquete americano, nomes e símbolos de marcas famosas...

É um fenômeno global, atingindo principalmente as periferias das metrópoles do mundo todo, sejam os leks de calça super justa do funk carioca ou os angolanos coloridos do kuduro. Se identificar com os ídolos e ostentar que fazem parte de um grupo, uma moda ou um acontecimento social e, ou histórico é do nosso DNA, levando muitos de nós a sonhar com a vida de rico, podendo comprar tudo e fazer o que quiser - coisas indissociáveis. Aqui, é a pura liberdade que acaba sendo ostentada, exposta antes mesmo do conteúdo ou valor material. Afinal, ele é rico porque usa roupas caras, ou usa roupas caras porque é rico?

Aí vem o estilo de vida como o principal motivador para usar ou não uma moda. Para os artistas, principalmente os da música, uma liberdade maior se faz para que eles se expressem de forma visualmente monumental, principalmente depois de James Brown, Elvis, Michael JacksonMadonnaElton John, David Bowie e até os Menudos (ou Restart)! Por sinal, quem se lembra dos Loco Mía? Aliás, ninguém era discreto nos anos 80. Foto: Os Menudos

Atualmente, os jovens contemplam uma liberdade na forma de se vestir, usando literalmente de tudo - alargadores nas orelhas, pulseiras e punhos, cabelos espetados, alisados, arrepiados, pintados, com luzes, e a velha mania de ostentar a marca e, ou o que isso tudo representa. Assim, para ser diferente no meio de tanta diversidade, só mesmo tentando o destaque através das cores e estampas chamativas, max acessórios caros e tecnológicos, muita criatividade e coragem, e com aquele toque de exclusividade. Se o homem sempre teve que ser reto, discreto e cinza, com exceção dos nobres da monarquia, se encher de apetrechos e enfeites é hoje uma expressão que vai além da suposta peruice - é uma maneira de se mostrar livre daqueles ditames que, há séculos, desenham a figura masculina ideal, do Homem com H, hoje, não necessariamente másculo.

Veja mais:
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Elton John e os seus óculos alegóricos

James Brown de colante com decote e cabelo alisado

O estilista da Channel Karl Lagerfeld

O jogador de futebol Daniel Alves

O cantor de kuduro Cabo Snoop com os fãs seguidores no colorido

O grupo dos anos 80 Loco Mía e o figurino excêntrico

Marilyn Manson

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