15 de abr de 2015

Fotografia: Biel Capllonch

Poesia masculina

Ao ver as fotografias do espanhol Biel Capllonch, a sensação é de chegar momentos depois de um acontecimento importante - depois da "boca na botija", digamos. Aquelas cenas e pausas que só o espelho ou paredes costumam presenciar ou pelo fascínio em ser uma "mosquinha" para ver tudo pelas lentes do fotógrafo, mas pelos olhos do expectador. Profissional da foto, Capllonch vai além do núcleo fashion-comercial, com uma proposta mais ampla e artística para a fotografia. São provocações conceituais ou sensações inquietas, facilmente identificáveis pelos homens.

Seja em seu trabalho na publicidade, na moda ou nas artes visuais, Capllonch apresenta uma linguagem própria, repetindo alguns símbolos ou conceitos específicos, assinando assim sua autoria.

Biel nasceu em Palma de Mallorca (Espanha, 1964), e escolheu Barcelona como local para estudar Belas Artes. Já a fotografia é a técnica utilizada desde o início de sua carreira artística até seu trabalho atual, que combina as criações pessoais com a fotografia de moda (Sybila, Jocomomola, Paulina Rio, Juan Antonio López) e com a publicidade (Ikea, JB, Panasonic, Nike, Audi, Casadecor, Mandarina Duck, Damm), além de colaborar regularmente com jornais e revistas (La Vanguardia, Punto H, El País, Elle, Cuaderns, Disco 2000El Paseante, Cultuur, WAD) - ele já expôs em coletivas e individuais, inclusive internacionais.

Hombres Desarmados, 1998.
O interesse pelo ofício aconteceu ao entrar em contato com fotografias de arte, de nu, especialmente do norte-americano Robert Mapplethorpe (1946), ícone da fotografia homoerótica, inspirado pela magia em não ter que ser literal - como na série Flowers (Mapplethorpe1987) que remete imediatamente ao falo, sem, contudo, fotografar nenhum pênis.

No seu trabalho pessoal, a figura masculina surge num espaço particular, trazendo histórias complexas, fantasiosas, incertas, como num desconforto de um flerte, ou de um flagra, com um homem desnudado no meio de toda esta inquietude - uma espécie de contenção explosiva.

Biel Capllonch contrapõe esta figura com as regras (ou conceitos) da vida, porém, falando da própria intimidade, dos desejos e sentimentos deste homem intrigante e sexy, ou, no mínimo, curioso. São momentos de introspecção que parecem contar um instante recém ocorrido, como nos corpos masculinos saindo de invólucros / casulos (Notebook of Shelters Fase 1) ou na série Formas de Inducción al Sueño, como se chegássemos numa festa logo após ela ter terminado. Ou dentro do aconchego do lar, totalmente despojados, com as poses elaboradas para não parecerem poses e, sim, estados ou tônus de ação (ou pós ação). Ainda que deitados e apagados no chão, há sempre uma história sugerida - mesmo quando se trata de retratos.


Galeria:
Biel Capllonch

Formas de Inducción al Sueño








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The Bulge











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Spain is Different







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Book Of Agreements











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A Notebook of Standard Nonsense










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Notebook of Shelters Fase 1









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The Early Black Book





Dormitory Rat






Outros trabalhos:
Site / portfólio

















3 comentários:

  1. Nossa, são fotografias espetaculares!

    Verdadeiras obras de arte!

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  2. Hoje descobri seu blog. Ele é perfeito. Já vi bastante coisa nele e, quando me cansei da putaria, tinha conteúdo (muito bem) escrito. Parabéns pela qualidade e continue bastante porque eu acabei de favoritar a bagaça.

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